10 de Março, 2007: Lançamento da página com os escritos do grande crítico musical Fernando Magalhães
16.10.1998
O Público Propõe Um Nobel Para A Música
E O Prémio Vai Para
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FM
Peter Hammill
Se houvesse um Prémio Nobel subjectivo e intransmissível, atribuilo-ia a
Peter Hammill, músico e poeta inglês em actividade desde os anos 60. Mas esse é
o curso subterrâneo e mágico das afinidades e das coincidências da alma.
Artista romântico, no sentido em que o indivíduo concentra sobre si o grande
combate cósmico do bem contra o mal, Peter Hammill acrescentou a esta dimensão,
que prolonga o drama existencial de poetas como Novalis ou Höelderlin, uma
extraordinária capacidade poética e um não menor talento para teatralizar vocal
e instrumentalmente a força do verbo. Um verbo que desce à Terra pelos braços
do inconsciente colectivo de Jung e de Laing numa ampliação que é, também, uma
aventura vivida em conjunto e em segredo no cume da montanha de que Nietzsche
falava. Bastaria o facto de ter gravado duas das obras-primas que hão-de
asombrar, para sempre, a música popular - “Pawn Hearts”, de 71, com os Van Der
Graaf Generator e “In Camera”, de 74, a solo - para ser digno de um prémio na
categoria imaginária dos Grandes Exploradores.
... já agora, o resto da lista... “always the list”:
Nuno Pacheco à Amália
Augusto M. Seabra à Pierre Boulez
Nuno Corvacho à Brian Eno
Luis Maio à KLF
Cristina Fernandes à Yehudi Menuhin
Carlos Mota à Lou Reed
Virgílio Melo à Karlheinz Stockhausen
Rui Catalão à Caetano Veloso
Rui Cidra à Neil Young