10 de Março, 2007: Lançamento da página com os escritos do grande crítico musical Fernando Magalhães
11.07.1997
Polémica / Opinião
Sacerdotes De Alquimia
Contra-Crítica A Fernado Magalhães
Na edição de 14 de Maio último, no suplemento PopRock, Fernando Magalhães
fez a crítica (desancou) do álbum de estreia dos Sacerdotes da Alquimia. António
Duarte Bento não gostou.
O Sebastianismo cristalizou-se de tal modo nas mentes dos críticos de arte
portugueses que, sempre que lhes escrevem poemas ou lhes cantam canções a falar
dePortugal, ficam de cara crispada e alma sombria, e vá de zurzir sobre os
pobres de espírito que ousam falar da mãe e do pai portugueses. Nunca falando
estes críticos de D. Sebastião, o sofrimento que lhes é afligido quando deste
alguém fala compara-se ao terror primário perante qualquer coisa tabu. Estes
críticos são órfãos primitivos, daqueles que, perante o mediático
deslumbramento dos pais dos outros, não toleram que lhes seja lembrada a
paternidade. Com um “locus” de controlo externo anglófilo, só toleram palavras
como “states”, “américa”, “england”, ou então, mimetizando simiamente os
américas, qualquer arte exotêstica porque é “cool”.
Sinfonismos e palavras como Portugal, o mar, merinheiros, universalismo
português e ingenuinismos lusos (estes, a base de um autêntico pensamento
revolucionário planetário) são, para eles, coisas de almocreves e bardos
nescientes. Curiosamente, se estes críticos emigrassem e se fixassem nos tais
“States” ou noutro país gato-por-lebremente dito desenvolvido, fariam grandes
festivais de música pátria, a ouvir bacalhau quer alho, pois é o melhor tempero
para a sua saudade. Estes críticos são daqueles que, como diz o povo, confundem
o cu com as claças. Nunca leram António Quadros e, se o folhearam, sofreram de
náusea primitiva de saudade. Só leram Fernando Pessoa depois de os américas o
terem autorizado, e assim lhes terem prescrito os comprimidos antieméticos.
Compreende-se.
O sacristão Fernando Magalhães, apesar de pertencer à mesma igreja, não tem
nada que ver com o sacerdote Fernão de Magalhães, que deu nome ao estreito. E
porque esta banda não é do Norte, o primeiro não seria sequer capaz de ajudar à
missa do segundo. Ficaria a carpir “esta banda não é do Norte”, no Restelo.
Assim, os Sacerdotes de Alquimia seriam uma banda pentagonal (perfeitamente
sintonizada com o Pentágono ou com a “Penthouse” - o que agradaria muito mais,
ora bem), ou hexagonal (perfeitamente sintonizada com o 6 da estrela judaica ou
embrulhada num qualquer código de barras europeu). Não, os Sacerdotes de Alquimia
são uma banda quadrada, e assim seja. Sintonizada com os quatro lados do
quadrado, que são também os quatro pontos cardeais, que são também os quatro
caminhos dovento, fotógrafos do vento que enfuna (enfuna é bonito, não é?) os
cabelos dos quatro cavaleiros do Delírio Final. Sim, é verdade, cheira a PIGS
do Sul. Decididamente, este Magalhães é do Norte.
António Duarte Bento
Poeta-cavaleiro da Ordem Lilás da Triste Figura
autor de vários arremessos a moinhos e outros monsttros (arremessando por
conta própria)
Buarcos-Figueira da Foz
Contra-contra-crítica a António Duarte Bento
Enfunemos então. Como todo o aspirante e adepto da verdadeira Tradição
sabe, a Ordem Lilás da Triste Figura é uma farsa, uma sitazita sem dimensão
proscrita pela Ordem-Mãe, a Yrmandade dos Mestres Comedores de Abóbora,
invocada em surdina nos meios iniciáticos, como Y.M.C.A O que retira, de
imediato, qualquer autoridade ao cavaleiro Bento para mencionar, sequer, o
baluarte da espiritualidade lusa que é a P.I.G.S. (Pátria Imaculada dos Grandes
S´bios) que o Bento Lilás lamentavelmente confunde com o PIGS (Portugal
infestado de gente suja). Por estas e por outras é que muitos perdem o norte,
na defesa daqueles que, arvorando-se em alquimistas, não passam de vulgares
sopradores.
Fernando Magalhães (monstro)