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A Crítica Musical Como Ela É

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10 de Março, 2007: Lançamento da página com os escritos do grande crítico musical Fernando Magalhães

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20.06.1997

Elliott Sharp

Field & Stream (8)

Atonal, import. Symbiose

Elliott Sharp, ou E#, o desconstrutivista da guitarra, aderiu ao “jungle”. Não é um passo de todo imprevisível, dado os antecedentes deste músico, em álbuns como “In The Land of the Yahoos” ou “Tectonics”, reveladores de um gosto pronunciado pelas programações rítmicas cruzadas que exploram tanto a velocidade como a sobreposição de diferentes compassos em simultâneo. “Field & Stream” é, neste particular, a sistematização desse conceito de polirritmia que funciona como base de um ambientalismo nocturno disfarçado. A quase totalidade dos temas inicia-se com sequências de guitarra e baixo eléctricos (o instrumento de dois braços de Sharp acumula as duas funções), num registo de distorção / saturação tímbrica, para em seguida se desmultiplicarem numa orgia de bits e bytes de computador, confrontados, no tema inicial, com as programações de “drum’n’bass” de Frank Rothkamm, ou, em “Fzarp”, com o “sampler” de Zeena Parkins. No seu sobressalto constante de aceleração/desaceleração electrónica, “Field & Stream” faz ainda a dissecação do “dub”, em “Anatomic Dub”, e uma revisitação ao lado mais anárquico de Sharp, na conclusão com “Lithic”, ruído rosa em ondulações petrificadas que determinam uma inversão de sentido do lado maisprogramático que orienta este novo trabalho do guitarrista ebabeça rapada.